Grelhados da Igreja de Deus

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A história que Charles Paul Conn conta em seu livro Making it Happen (Fazendo acontecer ), impressiona e inquieta o espírito.

Quando eu morava em Atlanta, muitos anos atrás, descobri nos classificados, na seção de restaurantes, um lugar chamado Grelhados da Igreja de Deus. Atiçado pela curiosidade desse nome particular, liguei para o número indicado. Um homem atendeu em tom jovial:

__ Grelados da Igreja de Deus, bom dia!

Perguntei a razão do nome inusitado e obtive a seguinte resposta:

__ Bem, tínhamos um pequeno ministério aqui e começamos a vender refeições à base de frango após os cultos de domingo, para ajudar nas despesas. As pessoas gostaram do frango e o negócio prosperou a tal ponto que deixamos as atividades da igreja de lado. Depois de algum tempo, fechamos de vez a igreja e ficamos apenas com o restaurante, mantendo apenas o nome com o qual começamos: Grelhados da Igreja de Deus. ¹


Talvez você esteja pensando: vem aí mais um artigo para amesquinhar a Igreja. Não é meu intuito desmerece-la, afinal, devo minha vida, especialmente em seu aspecto espiritual a ela. Nela nasci, cresci, me desenvolvi como ser humano, e como um maravilhoso presente, nela encontrei a pessoa com quem pude formar um lar. Em consequência disso, em companhia de minha esposa, desfrutamos da companhia de filhos encantadores e extraordinários.

Porém, e muitas coisas têm um porém, não quero subestimar o fato de que nestes últimos 30 ou 40 anos, a Igreja tem se afastado, (escrevo isso com um “nó” na garganta e um coração partido) da igreja idealizada por nosso precioso Salvador.  É claro que as igrejas não têm se tornado “grelhados da igreja de Deus”, isto foi uma exceção, mas um grande número delas têm se preocupado com “coisas” que não foram exatamente o que Jesus tinha em mente quando as criou.

Quanto a Igreja tem se desviado do ideal de Jesus para ela… Fico pensando: Se as pessoas que viveram a igreja há 70 ou 80 anos fossem trazidas à vida e adentrassem a ela, creio sinceramente que levariam um grande susto e fugiriam. Algumas pessoas podem dizer: É, mas tudo muda, evolui; o que seria do mundo de hoje sem a moderna tecnologia? Mas em termo espirituais, muito do que se diz evolução, na verdade é uma involução. Quem poderia contradizer o fato de que o cristianismo mudou em sua “essência”?

Não precisamos voltar muito no tempo; Há não muitos anos, o tempo dedicado à Palavra de Deus, era bem maior. Hoje, neste século XXI, temos visto pequenos “sermonetes” no horário do culto, quando a “Palavra” deveria o “prato” principal. A Igreja tem sofrido de um mal que eu chamaria de “osteoporose espiritual”, ou seja, um enfraquecimento de sua estrutura espiritual, e o que temos visto é que a igreja tem se envolvido em um grande número de atividade, enquanto despreza o essencial: A Palavra de Deus, com o seu poder de transformar vidas e atingir o mundo.

Nas palavras de Charles Swindoll, encontramos alguns dos motivos pelos quais a Igreja tem se desviado do propósito de nosso Senhor Jesus:

Igrejas que se dedicam a muitas atividades, estão predispostas a sofrer erosão. Participe dessa programação, inscreva-se nesse curso, junte-se a esse passeio, venha ver nossa apresentação, seja professor dessa classe, sirva aqui, ajude ali, mostre que você trabalha duro, produza algo, veja quantas pessoas estão participando, participe você também! É triste perceber que muitas dessas congregações não   estimulam a reflexão pessoal, o crescimento espiritual… pois o foco delas está em alcançar resultados. ²

Alguém me disse certa vez, que muito do que se tem na igreja hoje, não passa de puro entretenimento, embora que tenha “uma aparência espiritual”.  É fácil “encher” uma igreja: Basta convidar oradores de renome, grupos vocais de renome, e a igreja ficará “repleta”. Muitos dos   líderes, presbíteros, anciãos e dirigentes têm se tornado leitores vorazes dos especialistas em “crescimento da igreja”, ao passo que não dão grande importância ao maior especialista em crescimento da igreja: “Nosso Senhor Jesus Cristo”.

A igreja com o seu “status pós-moderno”, tem tentado, a seu modo, e não ao modo de Jesus, evangelizar o mundo, mas este, tem conseguido, qual “cavalo de Tróia”, secularizar a igreja.

Na cidade de Atlanta, como vimos no início deste artigo, o dirigente da igreja, com o objetivo de atrair mais pessoas à sua congregação, começou servindo após o culto, grelhados de frango.  Aos poucos o foco maior dos “adoradores” passou a ser os “grelhados de frango”. Eu mesmo já presenciei cena semelhante: após o culto dominical, em certa congregação, era servido docinhos, salgadinhos e suco de fruta, com o objetivo de aumentar o número dos fiéis aos cultos.

Será essa a estratégia divina para “encher” a igreja? O que deve a igreja oferecer àqueles que a procuram? Docinhos, salgadinhos, quem sabe até grelhados, ou o Pão da Vida?

Vou voltar a este tema futuramente, analisando as causas desta osteoporose espiritual, ou como disse Charles Swindoll: As causas desta erosão espiritual. ³

 

 

¹ - Grand Rapids: Revell, 1de 981, p. 95. Citado em Charles Swindoll – A igreja desviada, p. 126/127 – Ed. Mundo Cristão 04/2012

² - Swindoll Charles – A igreja desviada, São Paulo – Ed. Mundo cristão 04/2012, p. 251

³ – Ibidem p. 230